100 dias
O executivo da Câmara Municipal de Évora, liderado por Carlos Zorrinho, completou os seus primeiros 100 dias de mandato no dia 8 de fevereiro de 2026.
A cerimónia oficial de instalação dos novos órgãos municipais ocorreu no dia 31 de outubro de 2025, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Contando a partir do dia seguinte à posse (1 de novembro), o centésimo dia foi precisamente o passado domingo, 8 de fevereiro.
No seu programa dizia: “Não prometemos milagres, mas sim trabalho sério, visão estratégica e resultados concretos. Em 10 meses, queremos que todos sintam a mudança. Em 10 anos, queremos reposicionar Évora como uma Grande Capital Europeia ao Sul.” Assim, Zorrinho empurrou para a frente, tentou, a normal avaliação política dos 100 dias.
Entrar nos Paços do Concelho em 2025 foi, para o PS de Carlos Zorrinho, como herdar um casarão antigo onde as infiltrações têm nomes de batismo e as dívidas fazem parte da decoração.
A primeira medida foi o clássico dos manuais de política: a Auditoria. Não porque se desconfie de alguém, claro — em Évora somos todos gente de bem — mas porque é preciso "semear confiança". Na prática, é o equivalente político a contratar um exorcista para garantir que o espírito do "Centralismo Democrático" não ficou escondido em nenhum armário da contabilidade. Zorrinho queixa-se da "herança pesada": camiões do lixo que só funcionam por milagre e uma burocracia tão densa que até o "vagar" se sente apressado. Para o PS, a CDU não geriu uma cidade; geriu um museu de imobilismo onde cada buraco na estrada era preservado como se fosse um vestígio romano.
Passaram 100 dias e o que mudou?
A resposta cabe a cada um de nós.
Francisco Sá Carneiro foi um dos grandes teóricos e praticantes da ideia dos 10 meses para a avaliação do executivo. A sua perspetiva era muito focada na responsabilidade governativa e na rapidez da ação.
Sá Carneiro defendia que quem se candidata a governar tem a obrigação de conhecer o país (território). Para ele, o período de crítica à "herança" deveria ser curtíssimo. A sua célebre frase "O Governo não é um prémio, é um encargo" reflete bem isto: se o encargo é aceite, o governante deve carregar o fardo em vez de se lamentar publicamente sobre o peso do mesmo.
Ao contrário de outros políticos que usam os 100 dias para fazer diagnósticos lentos, Sá Carneiro defendia a rutura imediata. Ele acreditava que o país não podia esperar 100 dias para ver mudanças. Por isso, a sua crítica aos antecessores era feita de forma fulminante no início e, a partir daí, o foco passava a ser a execução do seu projeto.
Sá Carneiro era muito crítico acerca do que chamava a "política de fachada". Sá Carneiro dizia que um governante deve dizer a verdade sobre o estado do Estado logo no primeiro dia. Uma vez dita a verdade e apresentado o plano, continuar a falar do passado era, na sua visão, uma perda de tempo que o país não podia permitir.
Vamos falando.